segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pequeno desabafo

Os exercícios para o Clube de Escrita me fizeram escrever de uma maneira que há muito eu não escrevia. Tento fazer meus textos de um jeito que eles não pareçam ser meus, não sei se por diversão ou medo de encarar a realidade. Viram só? Já comecei a divagar nesse estilo que não é o meu, nunca foi e provavelmente nunca será. Eu gosto é de ir direto ao ponto, não deixar nada nas entrelinhas. Sempre tive pavor do “e se...?”. Se queremos dizer alguma coisa, que ela seja dita. E logo. Não tenho paciência pra esperar, nem pra escrever como se carregasse o peso do mundo das minhas costas. Pelo menos assim eu durmo com a consciência tranqüila - e os ombros descansados.

sábado, 9 de maio de 2009

Jamais

Voltei para casa inconformada. Durante o caminho, segurei o choro e não disse uma palavra. Era um silêncio inquietante, porque na verdade eu tinha muitas coisas a dizer. O discurso estava pronto na minha cabeça: eu teria de escrevê-lo no papel para não esquecer cada linha, vírgula ou ponto final. Nada poderia se perder, pois eu não estava disposta a fazer isso mais de uma vez – embora essa idéia surgisse na minha cabeça todos os dias. Seria uma conversa sem direito de respostas, uma maneira de tirar da garganta tudo o que estava ali guardado há muito tempo. Ao ficar cara a cara com o papel, porém, me dei conta do que estava prestes a fazer. Parei. Eu sabia que quando escrevemos, mesmo que só para nós mesmos, eternizamos momentos. Sempre que quisermos lembrar do que aconteceu, lá estarão as palavrinhas enfileiradas para nos dizer. E quer saber, sinceramente? Quando o assunto é você, eu prefiro me esquecer.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tamanho é

2 JORNALISMO E MITO

Começo pelo título porque é mais fácil enfileirar palavras do que encontrar uma boa frase de início. Dizem que ela deve ter impacto e sintetizar o assunto do texto, senão o leitor perde a paciência e vai ler outra coisa. Chato mesmo é ter que explicar, em poucas palavras, tudo o que cabe naquilo que escrevemos. Pode ser muita coisa espremidinha em um parágrafo, ou quase nada diluído em dez páginas. O que realmente importa é a confissão, e não a maneira como ela é feita. Pode ser que nós levemos anos escrevendo para encontrar uma só resposta, como pode ser que um dia seja o suficiente para a resolução de mil problemas. Afinal, meus amigos, nem tudo cabe em uma frase.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por quê?

Gosto muito daquelas fotografias em que o foco paira apenas sobre um pedacinho, enquanto o mundo inteiro em volta parece estar alheio àquele momento. É como reencontrar um amigo que não vemos há muito tempo, ou finalmente conhecer aquela pessoa por quem sempre esperamos. Nessas horas, o que acontece ao redor não tem importância – o que vale mesmo está ali, muito perto.

Curioso é pensar que, apesar de especiais, estas lembranças acabarão indo embora da nossa memória. Não como fuga, mas como ordem natural da vida. Boas ou ruins, apaixonantes ou enraivecedoras, nossas experiências são como professores: deixam suas lições e se vão...

Por isso escrevo. Para não perder momentos que um dia foram meus, e hoje são do mundo.

domingo, 22 de março de 2009

Mudou-se

Não consigo encontrar a palavra certa para começar o parágrafo. Talvez seja a perda da prática, já que há um bocado de tempo desde a última vez que escrevi. Tentei criar o hábito de colocar o que pensava em um caderno, sem me preocupar com o que os outros pensariam - afinal, só eu poderia ler. Foi inútil. Deu certo por uma noite, mas na segunda eu já sentia vergonha de mim mesma. É o que acontece quando nos damos conta de que a vida está tomando um rumo diferente do que planejávamos, e o que é pior, estamos gostando dessa mudança de planos. Só que se tem uma coisa que me assusta nessa vida, é a mudança. E quando sentimos medo de uma coisa que nos agrada...bem, os resultados podem não ser muito bons.

"A vida é muito curta para deixarmos de lutar pelo que a gente gosta em troca de meia dúzia de aplausos. O grande pecado é não nos atirarmos, com todas as forças, na direção que escolhemos. Pros diabos se as coisas vão dar certo ou não. Mais vale um pássaro na mão, é verdade, mas se tivermos dado o melhor de nós mesmos sem conseguir capturá-lo, o jeito é sentar numa sombra e ter a grandeza de aceitar, como parte da vida, os dois voando."

(O parágrafo acima foi retirado de uma crônica do Antônio Prata, que durante muito tempo figurou no meu "Quem sou eu" do orkut. Era 2007, eu estava enlouquecida com o vestibular e tinha certeza do que queria. Pode ser que muitas coisas tenham mudado desde então, mas uma permanece a mesma: eu não canso de me atirar - por mais que depois fique apenas a olhar o céu)